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09 junho 2007

Mídia Sem Máscara entrevista o Padre Luiz Carlos Lodi - 1a Parte

por Gerson Faria em 14 de maio de 2007
Resumo: A fundação Pró-Vida de Anápolis, dirigida pelo Padre Lodi, é talvez a mais ativa frente brasileira contrária ao aborto, nesses tempos de propaganda enganosa pelo "direito de escolha", eufemismo para direito ao aborto em qualquer circunstância e financiado pelo Estado.

© 2007 MidiaSemMascara.org

Em entrevista ao MSM, o Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, da Diocese de Anápolis - GO, analisa o aborto em seus aspectos legais, morais e políticos. Explica o motivo que o levou a dedicar-se ao problema e porque o Brasil não deve chamar um plebiscito sobre a legalização do aborto. Enquanto bilhões de dólares são investidos na prática em si, em técnicas e em propaganda pró aborto, os defensores do direito divino à vida são difamados como retrógrados e judicialmente processados e perseguidos, como ocorreu ao Padre Lodi, após afirmar que quem defende o aborto é abortista.

A fundação Pró-Vida de Anápolis, dirigida pelo Padre Lodi, é talvez a mais ativa frente brasileira contrária ao aborto, nesses tempos de propaganda enganosa pelo "direito de escolha", eufemismo para direito ao aborto em qualquer circunstância e financiado pelo Estado.

A entrevista foi conduzida por Gerson Faria, exclusivamente para o Mídia Sem Máscara.

***

MSM: Padre, o que o levou a se dedicar à luta contra o aborto? Conte-nos um pouco de sua biografia.

Padre Lodi: Nasci em Brasília, DF, em 24/12/1963 (véspera do Natal do Senhor). Com dois anos de idade, meus pais, que eram cariocas, voltaram para o Rio de Janeiro, onde fui criado. Formei-me em Engenharia Eletrônica pela UFRJ em 1985. No ano seguinte, ingressei no Seminário São José da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Na faculdade desse seminário fui discípulo do grande líder pró-vida Mons. Ney Sá Earp, o melhor professor de Filosofia que já tive. Ele atuava ativamente contra o aborto, inclusive diante das clínicas clandestinas da cidade.

Tendo ouvido falar bem da Diocese de Anápolis, que contava com o "Institutum Sapientiae", com professores especializados na formação do clero, transferi-me para lá em 1989, onde concluí os estudos de Teologia.

Fui ordenado sacerdote em 31 de maio de 1992, por coincidência, ou melhor, por Providência, Festa da Visitação de Maria Santíssima a Santa Isabel, o encontro entre duas gestantes. Já como sacerdote, senti-me atraído por um convite do Prof. Humberto Leal Vieira para um congresso pró-vida a ser realizado em Brasília, pela Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, em 1995.
Lá percebi que o avanço da cultura da morte era muito grande, e que o perigo de legalização do aborto era iminente. Assim, decidi tentar "fazer alguma coisa" para impedir essa tragédia. Foi daí que surgiu o boletim "Aborto. Faça alguma coisa (pela vida)!", que editamos mensalmente.
Com o entusiasmo do então Bispo de Anápolis Dom Manoel Pestana Filho (hoje Bispo emérito), organizamos uma caravana de cerca de 3000 pessoas que em 16/10/1996 encheram a Esplanada do Ministério em protesto contra o aborto.

No ano seguinte, em março de 1997, o Pró-Vida de Anápolis (que já existia extra-oficialmente desde 1989, criado por Dom Pestana) foi registrado em cartório e adquiriu personalidade jurídica. Desde então eu tenho presidido a entidade.

Premido pela necessidade de conhecer as leis para defender a vida, estudei Direito na UFG (Goiânia), tendo concluído o curso em 2006. A monografia que escrevi, como trabalho de conclusão do curso, foi aprovada com a nota máxima pela banca examinadora. A professora orientadora sugeriu sua publicação. Seu título: "Aborto na rede hospitalar pública: o Estado financiando o crime". [1]

MSM: São Paulo, embora tendo porte metropoliano, é uma cidade culturalmente provinciana. Sua capacidade econômica não têm colaborado na difusão de informações relevantes. Por exemplo, a luta do senhor à frente do Pró-Vida de Anápolis só tem divulgação em São Paulo em círculos informativos extremamente reduzidos, como o próprio Mídia Sem Máscara, uns poucos sites cristãos e em listas na Internet. O processo movido pelos abortistas contra o senhor é mais uma amostra da impossibilidade de debate público sobre essa questão de vida e morte?

Padre Lodi: Sim. Os abortistas não têm escrúpulos. Quando se vêem sem argumentos, recorrem à destruição do adversário. Para destruí-lo, vale tudo: desde os processos judiciais visando a proibição de criticá-los e o pagamento de indenizações, até a divulgação de mentiras (como a de que eu teria arremessado fetos de borracha contra meus opositores).[2] e [3] No fundo, tais atitudes são uma demonstração de desespero e fraqueza.

MSM: Em 2005, fomos às urnas referendar a proibição do porte e comercialização de armas. Com o passar da campanha, observamos que tratava-se de um jogo de cartas marcadas, pois o estatuto a ser referendado já era absolutamente restritivo. A partir desse mês, um plebiscito começa a ser ensaiado, sobre a legalização do aborto. Assim como o referendo de 2005, esse não nos parece também um jogo viciado, pois o aborto já é amplamente realizado pelos hospitais do Estado, sem ser considerado crime, como o senhor mostra em sua monografia? O que mudaria em caso da legalização do aborto? O que ainda falta para a indústria do aborto?

Padre Lodi: Um plebiscito sobre o aborto seria mais absurdo que um plebiscito sobre o retorno à escravidão. O direito à liberdade, cláusula pétrea, não pode ser suprimido sequer por emenda à Constituição. Com maior razão, a privação do direito do inocente à vida não pode ser objeto de consulta popular. Tal plebiscito, se ocorresse, seria manifestamente inconstitucional. Se o aborto for legalizado (Deus não o permita!), não haverá apenas um aumento numérico dos homicídios intra-uterinos. Não haverá apenas uma mudança quantitativa. Examinemos de perto a questão.
Algumas pessoas, contrárias ao aborto, não se assustam tanto com o perigo de sua legalização. Dizem elas que pouca coisa vai mudar. Pois o aborto já é praticado às ocultas no Brasil. Apenas o que é clandestino vai passar a ser legal. Ora, este argumento é falso. Legalizar ou não o aborto não é a mesma coisa. A diferença é enorme.

Uma coisa é você viver em uma nação cheia de criminosos que infringem a lei. Outra coisa é você viver numa nação criminosa, onde o crime já se tornou lei.

Uma coisa é você não conseguir combater o aborto com as forças policiais. Outra coisa bem diferente é você declarar que a matança dos inocentes não deve ser combatida porque é um direito do cidadão matar seus filhos.

Uma coisa é a justiça estar apenas no papel, mas não na prática. Outra coisa muitíssimo pior é a justiça não estar nem sequer no papel, mas ser trocada por uma lei injusta.

Uma coisa é haver indivíduos, por numerosos que sejam, que não honram as leis justas da pátria. Outra coisa muito mais grave é uma pátria nem ao menos ter leis justas para serem honradas.

Uma coisa é o crime de muitos brasileiros contra a vida. Outra coisa é o crime da própria nação brasileira contra o direito sagrado e inviolável à vida.

Recordando as palavras de Dom Manoel Pestana, Bispo emérito de Anápolis, uma nação que legaliza o aborto não merece subsistir.

A partir do dia em que o aborto se tornar lei, não haverá apenas uma mudança quantitativa nos assassinatos intra-uterinos. Haverá uma mudança qualitativa essencial: o Brasil se terá tornado formalmente uma nação inimiga de Deus.

Que nenhum de nós concorra, por atos ou omissões, para que tal desgraça aconteça.

MSM: Isso quer dizer que só o fato de chamar esse plebiscito, nos aproximamos mais ainda da condição de nação inimiga de Deus?

Padre Lodi: Exatamente. A convocação do plebiscito significa a arrogância de um povo de querer decidir algo que é de direito divino: a vida ou a morte de inocentes.

MSM: Outra arma do duelo de palavras é a que "o Brasil é um estado laico e a Igreja não deve influenciar as decisões de cunho civil", obviamente descaracterizando um problema de cunho moral. Por que a Igreja sempre é ouvida quando defende "movimentos sociais" claramente criminosos e laicos (isso quando não os estimula), e no caso do aborto é proibida de se manifestar, com o argumento de separação entre Igreja e estado?

Padre Lodi: Esse "Estado laico", no qual eles tanto falam, invoca a proteção de Deus no preâmbulo de sua Constituição [4]. O preâmbulo não é juridicamente irrelevante. Ele serve de chave de interpretação para todos os artigos que lhe seguem. Ou seja: tudo o que a nossa Carta Magna prescreve supõe a obediência a Deus, cujo nome foi mencionado no início. O argumento religioso é, portanto, um argumento constitucional. Inconstitucional é querer, a priori, rejeitar alguém por ser religioso, por falar de Deus e por defender valores morais. Seria uma discriminação intolerável, constantemente cometida pelos abortistas, quando desqualificam seus opositores. Ainda que a vida fosse algo a se discutir (o que não é), deveria prevalecer a vontade da maioria, que é contra o aborto. Dizer que essa maioria "não vale", por ser religiosa, é um preconceito contra a religião.

Gostaria de deixar claro que esses "movimentos sociais" que invadem propriedades privadas e prédios públicos, embora lamentavelmente contem com o apoio (expresso ou tácito) de numerosos clérigos, jamais foram aplaudidos pela Santa Sé, que sempre condenou tais práticas.
Notas:
[1] A monografia pode ser baixada de http://www.providaanapolis.org .br/monograf.pdf
[2] Em uma matéria da revista Época, o articulista afirmou que o padre Lodi costumava atirar fetos de borracha aos abortistas. Ver http://www.providaanapolis.org.br/epoca.htm, e Carta à revista Época (Direito de Resposta) a matéria original em http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG63194-6014-304,00.html
[3] Leia também Abortista : palavra proibida
[4] Preâmbulo da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988: "Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL."

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