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04 novembro 2008

Contra o livre-arbitrio: argumento 1

Inicio uma série de argumentos contrários à idéia popular de livre-arbítrio. Espero a honrosa consideração dos irmãos, bem como suas eventuais contra-argumentações. Apenas peço que nos atenhamos ao argumento apresentado.

Argumento 1: o livre-arbítrio não é bíblico

Afirmação: livre-arbítrio não é um termo bíblico e a idéia de livre-arbítrio não pode ser extraída naturalmente do texto sagrado.

Explanação: Há duas objeções geralmente apresentadas contra este argumento: que há outras doutrinas fundamentais cujos nomes não ocorrem na Bíblia e há exemplos indiretos da "ocorrência" do livre-arbítrio por toda a Bíblia. Em relação à primeira, embora a palavra Trindade não ocorra na Bíblia é facilmente demonstrado nela que a) há um só Deus; b) há três pessoas na divindade e c) cada uma das pessoas é plenamente Deus. A segunda objeção não se sustenta, na medida em que nos textos apresentados o livre-arbítrio é sempre pressuposto, jamais provado.

8 comentários:

Daniel Grubba disse...

Teólogos como o ultra-calvinista Vincent Cheung são enfáticos em dizer que o homem não é um ser livre e nem mesmo causador de suas ações. V.Cheung coloca o soberania divina e a liberdade humana em feroz oposição. Isto que dizer que não podemos defender as duas coisas como verdadeiras ao mesmo tempo pois são excludentes. A afirmação de um ponto (Soberania Divina), excliu automaticamente o outro (Liberdade humana).

Este argumento é bastante polêmico pois coloca o homem na mesma categoria que uma marionete ou um robô. E suscinta a questão da responsabilidade humana, ou seja, se não somos responsáveis por nossas ações não faz sentido sermos julgados moralmente.

Acredito que a força do livre-arbítrio (segundo os defensores) está em mostrar textos em que Deus considerada os homens responsáveis por suas decições e escolhas. É assim, por exempo, que Dr. Norman Geisler defende o a liberdade humana em seu livro "Eleistos, mas livres".

Clóvis disse...

Daniel,

O que temos de considerar:

1) A soberania de Deus está em contradição com a liberdade humana? A lei da contradição diz que não pode haver A e não-A no mesmo sentido.

2) Em que está baseada a responsabilidade humana? Na liberdade do homem? No poder de escolha contrária? "Dever implica poder" é uma frase bonita, mas é bíblica?

3) O homem faz escolhas morais livres e é responsável por essas escolhas. Mas isso não dá força alguma à teoria humanista do livre-arbítrio. E quanto ao Geisler, você conseguiu encontrar uma definição para livre-arbítrio no livro dele? Eu não consegui. E se a pessoa nem define direito sobre o que está falando...

Em Cristo,

Clóvis

Daniel Grubba disse...

Oi clóvis,

Achei o livro de Geisler muito fraco. É bem estranho, porque ele se declara calvinista e ataca com fracos argumentos 4 dos 5 pilares calvinistas (apoia apenas a perseverança dos santos). Ele é bem mais arminiano do que se pode imaginar, o livro é um ataque claro ao que ele chama de Calvinismo extremado. Também fiquei com a impressão de que o propósito do livro é pessoal, ou seja, atacar a cosmovisão de R.C. Sproul.

Quanto a definição, não me lembro de ter lido uma clara definição. E creio que este é o problema com os defensores do livre-arbitrio. O que significa livre-arbitrio em um mundo controlado por Deus? A ênfase neste tema tem produzido heresias como o teísmo aberto por exemplo.

Clóvis disse...

Daniel,

Eu também achei. Por se tratar do Norman Geisler, um escritor excelente, com livros muito bons na área de ética, apologia e bibliologia, fiquei decepcionado. Acho que ele tentou ser arminiano calvinista e conseguiu não ser nenhum.

Em Cristo,

Clóvis

Daniel Grubba disse...

Oi Clóvis,

Um outro ponto que os defensores do LB tem que enfrentar é a questão da onisciência.

Por exemplo: Estou decidindo se amanhã irei comer pastel ou pizza. Deus já sabe o que eu vou comer? Bom, se ele já sabe o que eu vou comer, então está determinado, já aconteceu para Deus. Cheung acredita que o pré-conhecimento tem um q de determinismo. è isso mesmo?

Sei que teólogos arminianos estão propondo alternativas para o onisciência de Deus, justamente pra nao ferir a liberdade humana (mesmo que implique em negar a Soberania). Querem dizer que Ele na verdade não sabe todos os eventos futuros (teísmo aberto) ou parcialmente (conhecimento médio ou molinismo - W.L. Craig defende isto). Neste caso o livro da vida estaria sendo escrito "real time" conforme os dias se passam na terra? Ou ele já sabe os nomes que estão inscritos e os que não estão? Se Ele sabe, então está determinado, se Ele não sabe, então como pode Deus ser onisciente?

Clóvis disse...

Daniel,

Num próximo post, espero que não seja distante post, abordarei a questão da onisciência e livre-arbítrio.

Em Cristo,

Clóvis

Anonymous disse...

Da mesma forma que Geisler em 'Eleitos mas Livres', vc Clovis, aqui, não define livre-arbítrio e, lendo o seu artigo, fico me perguntando: o que vc quer dizer por 'livre-arbítrio'? Vc fala numa tal 'idéia popular do livre-arbítrio' e depois numa 'teoria humanista do livre-arbítrio'. Mas que idéia e teoria seriam estas? Conta pra gente.

Mas, considerando que o livre-arbítrio seja falso, o que nos sobra? O determinismo teológico. Mas será que tal termo existe na Bíblia? Também não. Então ficamos empatados, ou melhor, empacados, sem sabermos para onde ir. Enfim, se este é um argumento válido, ele pode ser lançado contra o determinismo também.

Deixa eu fazer uma pergunta. Vc disse a alguém:

"Em que está baseada a responsabilidade humana? Na liberdade do homem? No poder de escolha contrária?"

Posso estar errado mas parece que vc acredita que:

- A responsabilidade do homem não está baseada em sua liberdade.
- Liberdade significa o poder de escolha contrária.

Acertei?

O fato é que a verdade do livre-arbítrio ou do determinismo nunca será provado pelas Escrituras, pois foge do seu alcance. O debate é mais filosófico que bíblico. É mais fácil provar que o diabo é uma figura mitológica a partir das Escrituras do que provar que um ou outro é verdadeiro.

Clóvis disse...

Querido Anônimo,

Paz seja contigo!

"Da mesma forma que Geisler em 'Eleitos mas Livres', vc Clovis, aqui, não define livre-arbítrio e, lendo o seu artigo, fico me perguntando: o que vc quer dizer por 'livre-arbítrio'?"

Eu disse que o Geisler não define o livre-arbítrio que defendo no livro todo. Você poderia, pelo menos, pesquisar e ver se eu defino livre-arbítrio em outros posts. Encontraria, por exemplo, esta definição:

"Livre-arbítrio é a capacidade de todo pecador de escolher igualmente entre a salvação e a perdição, entre crer e descrer de Cristo. Não creio que o homem tenha essa capacidade. Mas livre-arbítrio não é, como confundem alguns, vontade, liberdade ou escolha. Não negamos que o homem tenha vontade, apenas que essa vontade seja naturalmente boa e livre. Não negamos que o homem seja livre, no sentido de que toma decisões livremente, de acordo com a sua natureza; apenas afirmamos que sua natureza está corrompida pelo pecado e por isso não decide em favor de Deus. E, finalmente, não negamos que o homem faça escolhas, mas discordamos que tenha poder de fazer boas escolhas espirituais. Em adição, afirmamos que essa incapacidade absoluta do homem é suplantada pela graça invencível do Senhor." (http://cincosolas.blogspot.com/2008/07/o-livre-arbtrio-bblico.html)

"Vc fala numa tal 'idéia popular do livre-arbítrio' e depois numa 'teoria humanista do livre-arbítrio'. Mas que idéia e teoria seriam estas? Conta pra gente."

A idéia popular é a de que todo homem pode escolher igualmente entre crer e descrer de Cristo. A teoria humanista é a de que dever implica poder, a principal justificativa filosófica para o livre-arbítrio.

"Mas, considerando que o livre-arbítrio seja falso, o que nos sobra?"

Considerando que o livre-arbítrio seja verdadeiro, o que nos acrescenta?

"O determinismo teológico. Mas será que tal termo existe na Bíblia? Também não."

Não existe o termo, mas o controle providencial de Deus é uma verdade inescapável, até mesmo a Jacó Armínio. Eu não creio que o homem não tem livre-arbítrio porque este termo não ocorre na Bíblia, embora isto deva nos inspirar cautela. A idéia do livre-arbítrio está ausente da Bíblia. Já a providência divina é um fato bíblico.

"Então ficamos empatados, ou melhor, empacados, sem sabermos para onde ir. Enfim, se este é um argumento válido, ele pode ser lançado contra o determinismo também."

Como disse, não me apego à ausência do termo livre-arbítrio na Bíblia, embora chame a atenção para esse silêncio.

"Posso estar errado mas parece que vc acredita que:

- A responsabilidade do homem não está baseada em sua liberdade.
- Liberdade significa o poder de escolha contrária."

Acertei?"

Acertou a primeira. A segunda não, embora tenha esbarrado. O "poder de escolha contrária" é uma definição filosófica para livre-arbítrio, mas que alguns arminianos adotam.

"O fato é que a verdade do livre-arbítrio ou do determinismo nunca será provado pelas Escrituras, pois foge do seu alcance. O debate é mais filosófico que bíblico."

É verdade que o debate é filosófico também. Mas é bíblico. E embora o livre-arbítrio não possa ser provado a partir de textos bíblicos, o determininismo, se você o entende como implicação da doutrina dos decretos e da providência divina, é perfeitamente demosntrável biblicamente.

"É mais fácil provar que o diabo é uma figura mitológica a partir das Escrituras do que provar que um ou outro é verdadeiro."

Bom, quanto ao Diabo não sei... ele me parece bem real. Já o livre-arbítrio...

Em Cristo,

Clóvis

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