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22 abril 2009

Confissão e prática calvinista

Aqui, a primeira coisa que chama nossa atenção é a aparente contradição entre uma confissão que é alegada, embota o corte dos incentivos morais, e uma prática que na seriedade moral excede a prática de todas as outras religiões. O antinominiano e o puritano pareciam estar misturados neste campo como joio e trigo, de modo que, a primeira vista, parecia que o antinominiano era o resultado lógico da confissão calvinista, e como se fosse apenas por uma feliz inconsistência que o puritano poderia infundir o ardor de sua seriedade moral na frieza congelante que emana do dogma da predestinação.

Romanistas, Luteranos, Arminianos e Libertinos sempre têm acusado o Calvinismo de que sua doutrina da absoluta predestinação, culminando na perseverança dos santos, necessariamente deve resultar numa consciência muito condescendente e num perigoso descuido moral. Mas, o Calvinismo responde esta acusação não opondo razão contra razão, mas colocando um fato de reputação mundial em contraste com esta falsa dedução de conseqüências fictícias. Ele simplesmente pergunta:

“Quais frutos morais rivais as outras religiões têm para contrapor, se nós apontamos para a alta seriedade moral dos Puritanos?”.

Abraham Kuyper
In: Calvinismo

8 comentários:

Ednaldo disse...

Isso é PECADO Clóvis, desse jeito você causa inveja nos irmãos, o NOVO Visual do Cinco Solas ficou incrível.


Gostei muito mesmo, levei um susto quando abri o link no meu blog e apareceu essa maravilha visual.

E acerca do post, sem comentários, o Kuyper é 10.

Ednaldo.

Clóvis disse...

Ednaldo,

Que bom que tenha gostado. Na verdade, estamos (na verdade o Vini está) trabalhando num visual mais elaborado. Mas até lá, ficamos com este.

Comparando com o anterior, achei este bem melhor.

Clóvis

Marcelo Lemos disse...

É verdade, irmão Ednaldo! Apoiado em seu protesto...rsrsrsrs

Agente que está começando neste extranho mundo da "blogosfera" tem um bocado para aprender.

Agora, SOBRE O PURITANISMO, eu peso que temos um problema sobre aquilo que chamam de "verificação da fé". Penso, que quando eles fazem o papel do Acusador, levando a Igreja a olhar para si mesmo [boas obras]a fim de verificar o fato da eleição, prestam um desserviço a Igreja muito grave; quase semelhante ao arminianismo.

Não tenho nada além disso contra os puritanos. Acho que precisamos deles: sua pregação; sua teologia; sua santidade; seu fervor espiritual... Todavia, neste particular, acho que eles alteram um pouco a visão de Calvino e de Lutero.

Originalmente, a Teologia Reformada ordena que o homem pecador olhe para Cristo, a fim de assegurar-se de sua salvação; o puritanismo, em vários lugares, para nos pedir para olhar para nós mesmos!

Clóvis disse...

Marcelo,

Que bom que gostou do novo visual!

Sobre os puritanos, se não me engano o próprio Calvino se submetia a isso, inclusive nos últimos dias de vida dele ele se pôs diante da igreja para receber as acusações.

Achando a referência desse fato, indico, mas se mais alguém tiver conhecimento, favor indicar.

Em Cristo,

Clóvis

Clóvis disse...

Pronto, corrigi o erro do visual.

Para quem não tinha notado, eu "comi" um dos Solas, ficou faltando o Scriptura no cabeçalho.

Em Cristo,

Clóvis

Marcelo Lemos disse...

Clóvis,

Eu não quero polemizar o assunto, de forma alguma. Mas, é a impressão que eu tenho ao comparar algumas coisas que Calvino escreveu, com a prática puritana. Claro que Calvino acreditava que o homem devia examinar a si mesmo, e também cria na disciplina eclesiástica. No entanto, para Calvino, não existia esse sentimento de temer uma "falsa fé". No puritanismo, sabemos, havia a crença de que uma pessoa podia apresentar todas as evidencias externas de ser um salvo e, ainda assim, não passar de um hipocrita reprovado! Logo, como ter a certeza da salvação advogada pelos reformadores? Se o homem é o padrão de aferição, logo...

Beza, "pai" du puritanismo, em sua obra Sumário e Essência afirma o seguinte:

"Agora, quando Satanás nos põe em dúvida sobre nossa eleição, nós não podemos procurar a resolução dela no eterno conselho de Deus [!!!], cuja majestade não podemos compreender, ao contrário, devemos começar pela santificação que sentimos em nós mesmos [!!!!]... uma vez que nossa santificação, da qual procedem boas obras, é um efeito seguro do efeito (maior) ou, antes, de Jesus Cristo habitando em nós pela fé".

Mas, repito, amo os puritanos, apenas tenho algumas ressalvas quanto alguns pontos de sua prática.

Paz e bem
Marcelo Lemos
http://olharreformado.wordpress.com/

Anonymous disse...

Há pouco tempo me deparei com a doutrina reformada, que a igreja presbiteriana diz seguir, mas que pra saber, realmente o que é essa doutrina, tenho estudado um pouco por minha conta, já que na igreja se fala muito pouco a respeito. Passei a freqüentar essa igreja depois que me casei com uma moça presbiteriana. Confesso que fiquei um tanto que surpreso de ver como se crê que Deus age na vida das pessoas. Pelo que entendi todos, de acordo com a doutrina reformada, já nascemos com o destino traçado, ou seja, uns para a glória e outros para o castigo eterno. Indago: o que estamos fazendo aqui então? Qual o sentido de nossa vida aqui nessa terra? Acho que por esse principio não somos nada importantes pra Deus, já pelo que sei a grande maioria não vai escapar do castigo eterno, nem por esforço, ou qualquer outra coisa que seja, pois isso independe do agir do homem. E a bíblia? Como explicar que para quem não é um escolhido que o que esta escrito ali não serve pra ele. Como explicar o maior dos mandamentos do Senhor: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.” Ou então: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” E tanta outras promessas que existe no livro da Vida. Como cristão fico aqui pensando, como uma interpretação da letra escrita, a própria palavra de Deus, pode substituir, e também anular os feitos de Deus em favor de toda a humanidade transformando o agir de Deus em algo que se encaixa em uma interpretação, mas que muda toda a essência de Deus. Estou perplexo e tentando entender.

Renê

Clóvis disse...

Renê,

Obrigado pela sua visita e seu comentário. Me perdõe pela demora da resposta, estive uns dias down...

"Há pouco tempo me deparei com a doutrina reformada, que a igreja presbiteriana diz seguir, mas que pra saber, realmente o que é essa doutrina, tenho estudado um pouco por minha conta, já que na igreja se fala muito pouco a respeito."

É verdade, muitas igrejas confessionais evitam falar das doutrinas da reforma. Fiz um curso numa igreja presbiteriana, onde eu era o único pentecostal e praticamente o único que cria na predestinação ali!

"Pelo que entendi todos, de acordo com a doutrina reformada, já nascemos com o destino traçado, ou seja, uns para a glória e outros para o castigo eterno."

Segundo a doutrina bíblica da Providência, Deus determina tudo o que acontece. Então é claro que quando nascemos, já está determinado que se iremos gozar das bem-aventuranças na glória ou dos tormentos do inferno. Mas isso não seria fatalismo?, pergunta-se. Veremos que não.

"Indago: o que estamos fazendo aqui então? Qual o sentido de nossa vida aqui nessa terra?"

Nós estamos neste mundo para glorificar a Deus e termos prazer nEle. Este é o sentido da vida.

"Acho que por esse principio não somos nada importantes pra Deus, já pelo que sei a grande maioria não vai escapar do castigo eterno, nem por esforço, ou qualquer outra coisa que seja, pois isso independe do agir do homem."

Exatamente. Conforme Jesus disse, não depende da vontada do homem, mas de Deus. Paulo disse que não depende de quem corre, mas de Deus usar sua misericórdia. A salvação é unicamente pela graça e até mesmo a resposta do homem é concedida por Deus.

"E a bíblia? Como explicar que para quem não é um escolhido que o que esta escrito ali não serve pra ele. Como explicar o maior dos mandamentos do Senhor: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.”"

Quem disse que não serve? Tudo o que está escrito na Bíblia é útil a todo homem. A questão é: alguém pode se salvar obedecendo aos mandamentos da lei? Não, pois embora o mandamento seja bom, o homem é incapaz de obedecê-lo, pois está vendido ao pecado.

"Ou então: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”"

Este verso fala que Deus enviou seu Filho para quem crer seja salvo. Mas não diz quem crerá e como crerá. Outras passagens dão conta de que a fé é "dos eleitos de Deus" e que só as ovelhas do Pastor crêem nEle. Não por algo inerente nelas, mas pela chamada eficaz.

"Como cristão fico aqui pensando, como uma interpretação da letra escrita, a própria palavra de Deus, pode substituir, e também anular os feitos de Deus em favor de toda a humanidade transformando o agir de Deus em algo que se encaixa em uma interpretação, mas que muda toda a essência de Deus. Estou perplexo e tentando entender."

Caro, eu entendo a sua luta interior. Eu a experimentei. Mas chegou um momento em que tive que parar de espernear e me render à verdade bíblica.

Se algo lhe posso aconselhar é: leia a Bíblia, procurando se despir de pressupostos e sem tentar condicionar à verdade à sistemas teológicos, reformados ou arminianos. Não sujeite sua consciência a nada além da Bíblia.

Em Cristo,

Clóvis

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