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22 setembro 2009

É preciso mais fé para ser calvinista do que arminiano

Ser um calvinista é um ato de fé. Ser arminiano, nem tanto. Pois, vivendo a vida diária, parece muito mais evidente que somos absolutamente livres para fazer o que quisermos. Sinto-me livre para escolher um prato do cardápio no restaurante. Sinto-me livre para escolher a camisa que preciso comprar. Senti-me livre quando escolhi, olhando o mapa, que viria ao Recife pela BR 101 e não pela 116. Quando resolvi que iria aceitar a explicação que meu filho adolescente deu para ter agredido o irmão mais novo, sinto que não havia nada me impedindo de fazê-lo. Se estas escolhas ou outras foram determinadas por Deus antes da fundação do mundo, certamente não pareceu, na hora que as tomei. Não me senti em nada compelido a fazer qualquer uma destas coisas. Aliás, senti que podia ter escolhido exatamente o oposto.

Pensando naquele dia de setembro de 1977 em que decidi orar e buscar a Deus em minha angústia, lembro-me de que o fiz livremente. Foi ali que nasci de novo. Confesso, contudo, que não posso dizer que poderia não ter orado. De qualquer forma, meu ponto neste post é que o arminianismo, que ensina o pleno livre arbítrio do homem e nega os decretos de Deus em nível da predestinação individual, com certeza parece ser muito mais evidente aos nossos olhos. Em meados de 1975, jovem rebelde e desviado da Igreja, fui confrontado por uma mensagem poderosa, que me exigia uma decisão. Lutei por vários minutos. Sai do local da reunião. Tomei a decisão de rejeitar aquele apelo. Senti, de fato, uma compulsão para aceitá-lo, mas tive forças para recusá-lo. Não é de admirar que quando me tornei um cristão verdadeiro em 1977, senti muito naturalmente que o arminianismo era a coisa certa. Durante os primeiros anos da minha vida cristã cheguei a enfrentar calvinistas e desafiá-los. Afinal, era óbvio que o homem era livre.

Hoje, vinte e cinco anos depois, libertado por Charles Haddon Spurgeon dos últimos escrúpulos arminianos, continuo operando diariamente como se fosse absolutamente livre diante de todas as escolhas com que me deparo. O apelo do arminianismo é a prova da experiência diária. Já o calvinismo não tem como provar pragmaticamente que esta ou aquela decisão já havia sido antecipadamente decretada por Deus, e que ao livremente escolhermos nosso caminho, o fizemos em perfeita harmonia com o que Deus havia decretado. O calvinista tem de, realmente, viver pela fé, acreditando no ensino bíblico de uma Providência invisível, imperceptível, silenciosa, inaudível, que guia seus passos. Ele tem de diariamente aprender a ver além daquilo que seus sentidos, emoções e experiência parecem confirmar, que é o pleno livre arbítrio.

Eu já não me preocupo mais com isto. Convivo diariamente com o meu suposto livre arbítrio e a declarada soberania de Deus na minha vida. Não paro para refletir teologicamente diante das decisões. Simplesmente, tomo-as. Reflito, é claro, nos valores e princípios teológicos que controlam as escolhas, para que possa fazer aquelas que sejam acertadas Mas, não mais me pergunto “qual a escolha que Deus já determinou para mim”? Esse tipo de pergunta pode paralisar o calvinista, pois provavelmente ele só terá a resposta se for em frente e escolher. Sei que no final, Deus terá realizado seu plano sábio, justo e bom na minha vida. É nisto que creio.

Augustus Nicodemus Lopes
In: O Tempora, o Mores

4 comentários:

Daniel Grubba disse...

Interessante este ponto de vista do Nicodemus. Pois certamente, está para nascer uma mente que consiga discernir em absoluto estas questões que tangem o paradoxo da nossa fé.

NATANAEL TUSSINI disse...

IRMÃO, ESSES TEMPOS ATRAS VI O ENDEREÇO DO SEU NÃOMEÇEMBRO ONDE E AI PERDI. PORÉM LENDO OS COMENTÁRIOS SOBRE O TEMA ACIMA ABORDADOS NO DITO BLOG VOLTEI A ENCONTRAR. SEU BLOG É MUITO INFORMATIVO, JÁ ESTOU SEGUINDO.
www.penseteologicamente.blogspot.com É MEU BLOG, DA UMA OLHADA POR LÁ E COMENTE SE ASSIM DESEJAR.

ABRAÇOS

Clóvis disse...

Daniel,

Os calvinistas somos taxados de "sabidões" algumas vezes. Nas outras, somos acusados de apelar ao mistério. mas é o que descobrimos que nos leva a dizer não sei.

Raphael,

Este é o ponto do Prof. Augustus. Ser calvinista requer crer no que a Bíblia diz, apesar da nossa observação e experiências.

Natanael,

Cuide bem do endereço. Se quiser coloque nos favoritos. Mas não o perca novamente. Pois sua visita e comentários são bem vindos.

Em Cristo,

Clóvis

Clóvis disse...

Evitei o que pude. Mas não dá mais para segurar: o Augustus Nicodemus não é a cara do Gepetto, pai do Pinóquio?

Que ele não leia isso!

Em Cristo,

Clóvis

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