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01 março 2010

Deus é amor



Deus é a soma de Seus atributos. Negar ou diminuir a importância de qualquer de suas perfeições é fazê-lo menos Deus do que Ele realmente é. De igual modo, dar proeminência a um atributo, destacando-o dos demais, é apresentar uma idéia deformada da divindade. Qualquer proposição que comece com "o principal atributo de Deus é..." é enganoso e tende a desembocar numa heresia qualquer. Os atributos de Deus estão em plena harmonia, um não faz sombra a outro.

Estas considerações são necessárias quando alguém se propõe a falar do amor de Deus. Pois é fato que alguns, ante os requisitos de Sua santidade e justiça, podem querer suplantá-los com uma dose extra do amor divino. Por outro lado, os convictos de Sua soberania na salvação correm o risco de atenuar a dimensão do amor divino. Devemos afirmar, contudo, que Deus não é nem mais e nem menos amoroso que santo e justo! Ele é tanto amor, como espírito e luz.

O amor de Deus significa que Ele se doa aos outros - na linguagem teológica se diz que o amor de Deus é sua auto-comunicação aos homens. Nele estão incluídos complacência, deleite, desejo de posse e comunhão com seus amados. Porque ama, Deus entrega-se para e pelos objetos do seu amor.

As características do amor de Deus

O amor é uma daquelas palavras difíceis de definir e, por isso mesmo, geralmente mal compreendida. Se isso é verdade em se tratando do amor entre os homens, quanto mais então quando se trata do amor de Deus. É comum a idéia do amor de Deus como indulgência ou fraqueza. Para muitos, um Deus de amor é igual a um avô assistindo as travessuras de seus netos, maneando a cabeça enquanto diz "essas crianças...". Claro que não é assim que a Bíblia revela o Deus de amor.

Deus ama eterna e livremente. O amor de Deus não depende de nós, não é despertado por nós, mas flui livre e puro das profundezas do ser divino. Quando não havia nenhuma criatura para amar, as pessoas da Trindade amavam-se mutuamente. Jesus orou ao Pai dizendo "porque tu me amaste antes da fundação do mundo" (Jo 17:24) e fazia questão de "que o mundo saiba que eu amo o Pai" (Jo 14:31). Além disso, o seu amor pelas criaturas precede qualquer feito realizado por elas que justificasse serem amadas. "Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados" (1Jo 4:10). Já no Antigo Testamento Deus dizia "com amor eterno te amei; também com amável misericórdia te atraí" (Jr 31:3).

Deus ama de forma imutável. O amor de Deus não sofre variação, não aumenta nem diminui, não aparece nem desaparece. Não há nada que alguém possa fazer para Deus amá-lo mais, e nada que um filho Seu faça O levará a amá-lo menos. O amor de Deus não está sujeito ao tempo ou ao espaço, mas vem da eternidade para o coração dos filhos de Deus. O amor de Deus é absolutamente digno de confiança, mesmo na morte podemos desfrutar do cuidado amoroso do Pai. De Jesus é dito que "como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim" (Jo 13:1).

Deus ama infinitamente. Seu Deus infinito e sendo Deus amor, decorre que Seu amor é infinito. João diz que "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito" (Jo 3:16). Paulo declara que "Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (Rm 5:10). A linguagem humana falha em tentar expressar a dimensão do amor de Deus, pelo que os autores inspirados recorrem a expressões como "de tal maneira", "Deus prova" e "seu muito amor com que nos amou" (Ef 2:4).

Deus ama de forma onipotente. Não existe força no céu, na terra ou no inferno capaz de quebrar o amor de Deus por nós. A Carta aos Romanos nos dá a certeza de que "nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 8:38-39). O poder de Deus está a serviço de Seu amor e nada pode tirar dEle aqueles a quem ama.

O amor de Deus está intimamente relacionado com Sua misericórdia e graça. O amor de Deus se manifesta em misericórdia quando Ele não nos dá o que merecemos. É pelo amor de Deus que alguns não são condenados. E se manifesta em graça quando nos dá aquilo que não merecemos, pois é pelo amor de Deus que somos salvos. Portanto, o sermos livrados do inferno e o sermos conduzidos à glória, devem-se ao fato de que Deus é amor.

O amor de Deus é consistente com a eleição

Tendo feito a afirmação de que somos salvos pelo amor de Deus, ouvimos a objeção de que as doutrinas da graça, conforme entendidas pelos calvinistas, são inconsistentes com o amor de Deus. Porém, a verdade ensinada nas Escrituras prova ser esta objeção destituída de fundamento.

A Bíblia diz "eu amei a Jacó, mas rejeitei a Esaú" (Ml 1:2,3). Paulo menciona que essas palavras foram proferidas antes do nascimento dos gêmeos, exatamente para que "o propósito de Deus conforme a eleição prevalecesse" (Rm 9:11-13). Deus não teve afeição por Jacó porque este tinha alguma atração, Ele teve afeição porque amou (Dt 7:7-10). Deus o amou porque o amou e o escolheu porque o amou, não dá para ir além disso.

Noutra carta os crentes são chamados de "eleitos de Deus, santos e amados" (Cl 3:12). Não deve restar dúvidas de que é Deus quem elege, a referência bíblica é aos "eleitos de Deus" (Tt 1:1), como quando a Escritura diz "sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus" (1Ts 1:4). Sendo o agente da eleição o mesmo Deus de amor, não há nenhuma inconsistência entre amor e eleição, pelo contrário, esta decorre daquele. Por isso Paulo dizia "devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação" (1Ts 2:13). O mesmo pode ser dito sobre a predestinação, pois as Escrituras registram que Deus "em amor nos predestinou para ele" (Ef 1:4-5). Deus não elege e predestina apesar do Seu amor, Ele elege e predestina por causa do Seu amor.

Porque Deus é amor, devemos amar

O amor é uma qualidade que Deus comunica a nós. Nós O amamos e amamos o próximo porque Ele nos amou primeiro. Aliás, somente quando observamos a atividade de amar é que descobrimos como amar. Pois não descobrimos Deus através de nossas experiência com o amor, descobrimos o amor através de nossa experiência com o amor. Só somos capazes de amar verdadeiramente quando nosso amor é reflexo do amor de Deus em nós. E a prova de que o conhecemos é quando amamos seguindo Seu exemplo.

Soli Deo Gloria

32 comentários:

Neto disse...

Amém.

Linda imagem. E ela combina (creio que propositalmente, rs) com a expressão "Os atributos de Deus estão em plena harmonia, um não faz SOMBRA a outro."

Creio que é idolatria exaltar o amor de Deus ACIMA de todos os outros atributos. Se se falasse da IRA o tanto que se fala do amor, creio que a igreja não estaria tão inchada com falsos convertidos...

Georges Nogueira disse...

Meu irmão Clóvis, venho com muita humildade e com o respeito que nutro pela sua pessoa, coisa que o irmão já deve saber não ser falseada, lhe pedir que complemente seu artigo para que em minha mui tosca compreensão das coisas de Deus, eu possa aprender um pouco mais dEle.

O irmão afirma ainda no parágrafo introdutório de seu artigo:
"Deus é a soma de Seus atributos. Negar ou diminuir a importância de qualquer de suas perfeições é fazê-lo menos Deus do que Ele realmente é. De igual modo, dar proeminência a um atributo, destacando-o dos demais, é apresentar uma idéia deformada da divindade. (...) Os atributos de Deus estão em plena harmonia, um não faz sombra a outro."

Depois, o irmão afirma:
"O amor de Deus está intimamente relacionado com Sua misericórdia e graça. O amor de Deus se manifesta em misericórdia quando Ele não nos dá o que merecemos. É pelo amor de Deus que alguns não são condenados. E se manifesta em graça quando nos dá aquilo que não merecemos, pois é pelo amor de Deus que somos salvos. Portanto, o sermos livrados do inferno e o sermos conduzidos à glória, devem-se ao fato de que Deus é amor."

Eu lhe pergunto: Deus também não é justo? A justiça não lhe é tão inerente quanto o amor?
E mais: se é verdade que seus atributos são harmônicos, nào havendo um maior que os outros, porque é que quando seu amor se manifesta através de sua misericórdia, eu percebo que sua justiça foi deixada de lado? Porque ele não é justo com o que o irmão chama de seus "eleitos" preferindo demonstrar a estes seu amor em forma de misericórdia?

Gostaria muito mesmo que o irmão pudesse me elucidar estes pontos, e, com esse gesto cristão, ajudar a me libertar das trevas de minha ignorância.
Em Cristo,
Georges Nogueira.

Neto disse...

Georges,

de forma rápida e resumida: quando Seu amor se manifesta através de Sua misericórdia, sua justiça não foi deixada de lado.Nunca é.
Nesse caso, Ela (justiça) foi cumprida em Cristo.

Clóvis disse...

Georges,

Não creio que o irmão esteja em trevas e tributo essa sua expressão à muita humildade que se dirigiu no início de seu comentário. Além disso, em se tratando da pessoa de Deus, quem ousa afirmar que já saiu do maternal para a pré-escola?

Pois bem, o irmão levanta a questão da justiça de Deus, especialmente quando o amor de Deus revela-se através de sua misericórdia. Com o devido respeito à sua pessoa, afirmo que sua percepção está equivocada. Deus nunca põe a Sua justiça de lado, antes Sua misericórdia só é possível porque Sua justiça foi plenamente satisfeita. Vou tentar explicar.

A misericórdia de Deus não existe às expensas de Sua justiça. Para que Deus possa ser misericordioso, sendo santo e justo, à culpa pelo pecado precisava ser expiada. É por isso que Jesus precisou encarnar e morrer na cruz, para nos substituir no recebimento da penalidade do pecado. Uma vez Jesus satisfazendo a justiça de Deus, e Ele o fez tanto por Sua vida impecável como por sua morte obediente, Deus poderia nos perdoar e receber na Sua santa presença, sem arranhar Sua justiça.

Mas a questão da justiça de Deus é geralmente levantada em relação à sua parcialidade, ao ser misericordioso com uns e justo com outros. Neste caso, basta aceitar que ele não é injusto com ninguém, pois nada devia aos que são recipientes de Sua graça, e nada puniu a mais nos que recebem a retribuição pelos seus atos maus.

Mas precisamos, ainda, fazer uma referência ao desígnio da morte de Jesus. Pois se Jesus morreu penal e substutivamente por todos todos os pecados de todos os homens de todos os tempos e lugares, sem exceção, e um só deles perece no inferno, então Deus não agiu justamente, pois exige uma dupla satisfação de sua justiça, punindo duas vezes o mesmo pecado da mesma pessoa.

Mas o amor, a santidade e justiça de Deus harmonizam-se perfeitamente quando cremos que Jesus cumpriu a justiça de Deus por nós e que esta justiça nos é imputada pela misericórdia de Deus. Não precisamos amputar Deus de nenhum de Seus atributos, e nem esconder um sequer atrás do outro, pois Deus é a soma de Sua perfeições.

Em Cristo,

Clóvis

Georges Nogueira disse...

Amado irmão Clóvis, Antes de qualquer outra coisa, quero lhe manifestar meu agradecimento por tão rápida resposta. Sem dúvida, tamanha atenção dispensada a qualquer comentarista só pode demonstrar o espírito de um cristão verdadeiramente comprometido com a obra do Senhor.
Contudo, permita-me, ainda uma vez questionar sua resposta. Para que tudo se harmonize em meu entendimento, me falta ainda a compreensão daquilo que lhe perguntei em meu questionamento anterior, e sua resposta acabou me criando uma nova confusão. O irmão explicou de maneira muito apropriada e bíblica a questão da expiação através do sacrifício salvífico de Cristo.
Mas sinto que ainda faltou uma pequena aresta a ser aparada em sua explanação.
Se de fato o sacrifício de Cristo se dirigiu a alguns escolhidos, e se a Palavra de Deus nos revela que "pois TODOS pecaram e carecem da glória de Deus," (Rm 3.23) e também que "como está escrito: Não há justo, nem um sequer," (Rm 3.10), Podemos partir do pressuposto bíblico e lógico de que absolutamente ninguém é merecedor do sacrifício de Cristo, e que este nos foi dado única e exclusivamente por sua graça.
Desta forma, se ninguém merece o sacrifício salvífico de Jesus Cristo e se somos todos os seres humanos igualmente pecadores e condenáveis, eleger uns e não outros não demonstra justiça. Ora, o irmão há de convir comigo que sendo TODOS igualmente pecadores, não há motivo justo para se escolher alguns e outros não. A não ser que uns fossem menos pecadores que outros, sendo então em algum grau merecedores, o que sabemos, não é bíblico, ou que a justiça de Deus não seja tão perfeita, afinal se manifestar aleatoreamente a uns em detrimento de outros não revela justiça.
Ainda no tocante ao sacrifício de Cristo, o simples fato de ele ter resolvido morrer em nosso lugar, com certeza atende à perfeita justiça de Deus em sua consumação, mas o simples fato de Deus ter tomado esta decisão sendo todos os homens pecadores e não merecedores, demonstra ou que a justiça não é perfeita, porque definir que o inocente pague pelo pecador não é justo, ou que Deus, ao elaborar um plano de salvação para quem não o merece, e sacrificando a si mesmo para isso, acabou por ser mais amoroso e misericordioso do que justo.
Voltamos então ao problema inicial, o qual espero que mais uma vez o irmão possa, pacientemente, me auxiliar na resolução.

Em tempo: tenho muito temor de que o irmão Roberto me acuse de tentar iniciar a tão temida "guerrinha de versículos". Por este motivo mesmo, meu irmão Roberto, caso esteja de passagem por estes comentários, considere que os dois versículos que citei apenas ilustram meus questionamentos. De forma pacífica.

Em Cristo,
Seu irmão menor,
Georges Nogueira

Clóvis disse...

Georges,

Entendi na sua questão anterior que a principal dúvida era se ser Deus misericordioso implicava não ser justo, pois a justiça exige retribuição. Expliquei então que a misericórdia de Deus flui do Calvário, onde Sua justiça foi satisfeita. Penso que este ponto está estabelecido.

Toquei de leve na outra questão, que julguei secundária, nas seguintes palavras:

"Mas a questão da justiça de Deus é geralmente levantada em relação à sua parcialidade, ao ser misericordioso com uns e justo com outros. Neste caso, basta aceitar que ele não é injusto com ninguém, pois nada devia aos que são recipientes de Sua graça, e nada puniu a mais nos que recebem a retribuição pelos seus atos maus."

O que posso fazer agora é desenvolver um pouco mais o tema, sem a pretenção de esgotar o assunto. Permita-me ilustrar o meu ponto de vista, considerando que toda ilustração coxeia.

Imagine que você encontra um mendigo e resolve dar-lhe uma esmola, saca então uma nota de 50 reais e discretamente lhe entrega. Este ato testemunha em favor de sua bondade ou de sua justiça? Ou em outras palavras, sua bondade revelou que você é uma pessoa injusta? Veja bem, quantos mendigos há em sua cidade? Certamente mais que um. E no país, e no mundo? Ao dar uma esmola para um deles, você fez-se injusto com os demais?

A resposta, obviamente, é não, por uma razão simples: não existe nenhum lei ou convenção social que te obrigue a dar esmolas. Portanto, se você não desse esmola ao mendigo, não estaria cometendo injustiça, pois não devia nada a ele. E ao dar-lhe uma esmola, não cometeu injustiça com os demais, pois a eles tampouco deve esmolas.

Trazendo para nosso tema, a humanidade toda estava sob condenação. Se Deus não salvasse nenhuma pessoa, continuaria sendo justo, se salvasse a todos não seria mais justo, então, porque salvar alguns o tornaria injusto? Você diz que todos pecaram, e é verdade. Mas quem disse que o pecado torna a pessoa merecedora e Deus devedor de alguma coisa além da justiça retributiva? Parece-me que seu problema não é exatamente com a injustiça, e sim com a parcialidade divina. Neste caso, afirmo e demonstro num artigo deste blog que Deus é parcial, mas não injustamente parcial.

Finalmente, você levanta a questão de que Deus punir nossos pecados em Jesus é injusto, o inocente pagar pelo culpado. Não é o caso, pois Jesus não foi assassinado, entregou a Sua vida voluntariamente. Além disso, Jesus morreu como representante (o cabeça) do Seu povo e a sua justiça nos é imputada. Não há injustiça da parte de Deus, isto Paulo vem falando através dos séculos.

Continuo à disposição para esclarecer alguma coisa que não tenha conseguido por à lume até agora.

Em Cristo,

Clóvis

Georges Nogueira disse...

Caro Clóvis:

Sim, eu estava falando a princípio acerca da retribuição. E eu expliquei claramente que compreendo e concordo com a justificação no calvário, que está cristalina no texto bíblico. O que lhe questionei foi que ANTES desta consumação, o fato de o Senhor ter elaborado este plano, não demonstra justiça alguma. O próprio apóstolo Paulo diz, em Rm 5.8: "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores".
Sendo nós ainda pecadores, Deus elaborou este plano para nossa salvação. E não o elaborou para fazer justiça. Antes, este plano visava a Salvação APESAR da justiça divina. E justamente para que esta justiça não fosse deixada de lado, o ministério de Cristo na terra deveria terminar com seu sacrifício na cruz.
Quanto à ilustração do irmão, foi bastante esclarecedora, mas, talvez por ignorância, nunca encontrei no texto bíblico correspondência entre a salvação e a esmola. Antes, a Bíblia nos cita incansavelmente o "Justo Juiz", a "expiação dos pecados" Jesus como nosso "advogado junto ao pai". Mesmo que houvesse, creio que um Deus que dispõe de uma salvação que basta apenas a um mendigo seria um deus um tanto alquebrado. Nesta ilustração, Deus com certeza poderia doar Muitos milhões para cada mendigo da terra e sendo Ele o Criador de todos aqueles mendigos, seria injusto dar sua esmolinha a apenas um deles. E o irmão deve levar em consideração também que eu não teria obrigação com o mendigo por eu não ter absolutamente nenhum vínculo com este mendigo. O irmão percebe que há um vínculo indistinto entre o Criador e sua criatura?
No último parágrafo de seu comentário anterior, o irmão diz que o fato de Jesus entregar sua vida voluntariamente afasta a injustiça. Gostaria muito que me explanasse melhor essa teoria jurídica, dando ênfase para o ponto onde a vontade do inocente de morrer pelo pecador afasta o nexo causal e a culpa do pecador, e onde é justo que mesmo querendo, um inocente morra no lugar do culpado.
O irmão pode pedir um auxílio para o irmão Ricardo nessa parte do nexo causal, por ser um termo técnico específico.

Peço-lhe desculpas por antecipação se não me fiz claro o bastante.

Em Cristo,
Georges Nogueira.

Clóvis disse...

Georges,

Permita-me lhe dizer que nossa conversa está sendo muito proveitosa para mim, pois além de seguir em clima de cordialidade, tem me feito refletir. Infelizmente vai chegar um ponto, e não está longe, de que não poderei acrescentar nada mais que seja substancioso, então só nos resta pedir que o Espírito, que nos guiou até este ponto continue nos iluminando.

Quanto á minha ilustração, eu lhe disse que todas elas manquejam. As minhas mais ainda. Então peço que considere nelas o ponto principal, o que se pretendeu trazer a lume e não aos detalhes. Pois quando se trata de Deus, não podemos incidir em erro de referencial analógico. Explicando: Deus não pode ser representado de forma perfeita pelo homem, seja um pai, um rei, um pastor ou um filantropo.

Apesar disso, discordo quando você diz que não vê relação entre salvação e esmola na Bíblia. Eu praticamente só vejo isso. A palavra misericórdia dá essa conotação, a de amor pelo miserável. A parábola da grande ceia fala dos servos sendo enviado a buscar quem está nas ruas e vielas. O correspondente mais próximo de dom é esmola. Talvez, e por favor não nos entenda mal, admitir que recebemos a salvação como esmola de Deus fira nosso orgulho e por isso não vejamos essa associação. Mas enfim, eu poderia apresentar outras ilustrações, mas seriam igualmente pernetas.

Sobre o fato de Deus, ao planejar a salvação do homem através da morte substutiva de Seu filho não visar fazer justiça, eu concordo com você. Mas porque precisa ser assim para que seja justo? Basta que ao agir movido pelo amor não o faça contrariando a justiça. Note que a motivação de alguém por ser uma característica de seu ser, mas ele estará sendo íntegro se com isso não violar outra característica. No caso de Deus, quando Deus resolveu por seu amor salvar o pecador, não o fez à custas de Sua justiça.

Vamos imaginar o seguinte. Deus dispõe-se a salvar o homem, porém não aceita que Seu filho morra na cruz. Salvar o pecador sem que seja oferecida satisfação pelo pecado seria ter o culpado por inocente, coisa que Deus reprova. Neste caso, sua justiça seria maculada. Mas ser motivado pelo amor a nos salvar e impelido pela justiça a sacrificar Seu filho estão em completa harmonia com a totalidade de Seu ser.

Sobre a questão jurídica envolvida, vou me aventurar no próximo comentário.

Em Cristo,

Clóvis

Esli Soares disse...

Olá Clóvis e Georges...


Estou acompanhando o post com real interesse. Embora EU esteja com dificuldade de entender a linha de raciocinio do Georges, até cheguei a postar uma verificação para medir o meu entender, mas como o último comentário do Clóvis desfez alguns dos MEUS 'nós', preferi retirá-la.

Ao que me parece que a conversa anda bem, e vai caminhar para a afirmação dos Decretos Eternos de Deus, e uma nova exposição da doutrina da Graça. Assim teremos a oportunidade de aprender um pouco mais sobre as possíveis dúvidas e as verdadeiras respostas.

Presente, aguardo.

Esli Soares

Clóvis disse...

Georges,

Antes de mais nada duas observações. A primeira que minha formação não é direito, portanto não conte com precisão técnica nesta área. A segunda é que estamos entrando por um caminho perigoso. O advogado Charles Finney aplicou seus conhecimentos jurídicos à questão da morte de Cristo e acabou por negar a expiação penal e substutiva, no que não teve originalidade nenhuma, pois antes dele outro herege, Socino, chegou à conclusão de que Jesus não morreu vicariamente por nós. Dois hereges nos bastam.

Consideremos primeiro que temos que falar em direitos, aqui. Pois o direito não é universal, temos direito romano, direito alemão, direito brasileiro, além de direito civil, direito penal, direito canônico, etc. Portanto, as teorias e sistemas jurídicos terrenos não são padrões pelos quais os atos divinos devam ser considerados justos ou injustos. O direito divino é o direito de um déspota, não é Lex Rex mas Rex Lex. Na Bíblia, Deus não é apenas justo, mas é Ele próprio o padrão de justiça.

Mas deixemos isso de lado por ora e vamos analisar a questão à luz do direito brasileiro. No direito civil, cabe a quem causa um dano reparar o mesmo, desde que provado a existência do dano, a culpa e o nexo causal entre o uma ação do culpado e o dano provocado, exceto nos casos em que a lê prevê responsabilidade objetiva, então o dever de reparar independe de culpa. Neste caso, a lei permite que outro possa pagar a dívida em nome de outro, em alguns casos, a personalidade jurídica é desconsiderada para que uma pessoa natural responda por um ato perpetrado por um funcionário negligente, por exemplo.

No direito penal, até onde eu saiba, por se tratar de crime, a substituição penal não é possível. Mas há uma situação que se aplica aqui: é o chamado bis in idem, segundo o qual um crime não pode ser punido duas vezes. Se Jesus morreu por alguém na cruz, pagando pelo seu pecado, então essa pessoa não pode mais ser condenada. De qualquer forma, creio que à luz do direito penal brasileiro, Jesus não seria aceito como substituto nosso no cumprimento de pena.

Porém, pecado é dano ou crime? Perante a lei dos homens pode não ser nenhum, apenas um deles ou ambos. Por exemplo, adultério é pecado, não é crime mas pode ser dano. Homicídio é tanto crime como dano. A mentira pode não ser nem crime, nem dano, mas é pecado. Por aí vemos que o ordenamento jurídico dos homens não alcança a justiça de Deus. Então temos que nos basear não no sistema jurídico mais avançado da terra e sim no divino.

No direito divino temos que considerar a solidariedade da raça e a figura do representante federal. Perguntemos, é justo que todos nós nasçamos com a culpa pelo pecado de Adão? À luz do direito terreno, não. Mas a Bíblia apresenta Adão como representante, o cabeça da raça, de forma que o pecado dele pode ser castigado com justiça em todos os seus filhos. Portanto, um pecou, todos morreram. Isso se dá por imputação.

Quando Jesus morreu na cruz, também o fez na condição de representante federal, o cabeça de Seu povo. E por isso o Seu ato de justiça pode ser imputado a todos os seus descendentes. No sistema jurídico divino, um ato de pecado de representante pode ser atribuído aos representados, e vemos isso muitas vezes na Bíblia, como por exemplo pelo pecado do pai de família, esposa e filhos eram punidos juntos. E nesse sistema, um ato de justiça de um representante trazia benefícios aos representados.

Ademais disso, basta-nos o que diz a Bíblia. Pedro escreveu que "Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus" (1Pe 3:16) sem apontar aqui qualquer injustiça.

Enfim, salvação é motivada pelo amor, mas é segundo a justiça de Deus.

Georges Nogueira disse...

Clóvis,

Estou tratando aqui de seu comentário postado em 5 de março de 2010 09:53

Com relação à relação salvação x esmola, para resolvê-la a contento teríamos que entrar na discussão denotação x conotação. Como o irmão mesmo disse: "A palavra misericórdia dá essa conotação", e conotação depende invariavelmente de contexto, além de depender frequentemente de interpretação e de contexto pessoal (aquele que trata da condição e cultura do indivíduo que lê e não do texto apenas). Creio que o irmão concordaria comigo em que esse debate cansativo seria infrutífero. Prefiro, neste caso, (situação extrema e rara) utilizar-me da alteridade para dispensar tal debate. Mesmo porque quando você abordou a questão do orgulho, sua tese conquistou de maneira irresistível minha sipatia. Creio que depois desta colocação seu ponto de vista está mais do que justificado.

A seguir, você coloca:

"Sobre o fato de Deus, ao planejar a salvação do homem através da morte substutiva de Seu filho não visar fazer justiça, eu concordo com você. Mas porque precisa ser assim para que seja justo? Basta que ao agir movido pelo amor não o faça contrariando a justiça. Note que a motivação de alguém por ser uma característica de seu ser, mas ele estará sendo íntegro se com isso não violar outra característica. No caso de Deus, quando Deus resolveu por seu amor salvar o pecador, não o fez à custas de Sua justiça."

Neste ponto, creio eu, estamos mais próximos da completa harmonia de pensamentos do que jamais estivemos. Glóaria a Deus por isso! Apenas quero tecer um comentário acerca da frase que coloquei em negrito. De fato, não precisa ser assim para que seja justo. Apenas queria reforçar para o irmão minha afirmação de Deus não havia agido motivado pela justiça, mas você já havia concordado com isso na frase anterior. Neste ponto, podemos avançar para um novo ponto em nossa discussão: Não é preciso que um dos atributos de Deus seja maior que os demais, para que em determinado momento Sua ação seja movida por um e não por outro.
Me permita, apenas discordar em um ponto de seu comentário, após tantas concordâncias. Quando você afirma: "Salvar o pecador sem que seja oferecida satisfação pelo pecado seria ter o culpado por inocente", existe um grave equívoco. Salvar o pecador sem que seja oferecida satisfação pelo pecado seria injustiça, ou seria não atender à justiça, ignorá-la, o que dá na mesma. Ter o culpado por inocente é EXATAMENTE o que Deus propicia em seu plano salvífico. Enão haveria outra maneira de salvar-nos de nossos pecados.

Neto disse...

Clóvis,

Discordo quando você disse "...Deus, ao planejar a salvação do homem através da morte substutiva de Seu filho não visar fazer justiça, eu concordo com você.".

Mas concordo quando você disse:
"A segunda é que estamos entrando por um caminho perigoso.";
"Enfim, salvação é motivada pelo amor, mas é segundo a justiça de Deus."
e
"Ademais disso, basta-nos o que diz a Bíblia. Pedro escreveu que "Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus" (1Pe 3:16) sem apontar aqui qualquer injustiça."

E explicarei adiante o porque da discordancia e concordancias (3 x 1! rs)


Para os irmãos George, Esli e Clóvis,

Vamos à Palavra?

Destacarei em maiuscula as partes mais importantes:

Romanos 3

21 Mas agora SE MANIFESTOU sem a lei A JUSTIÇA DE DEUS, tendo o testemunho da lei e dos profetas;
22 Isto é, A JUSTIÇA DE DEUS PELA FÉ EM JESUS CRISTO para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença.
23 Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;
24 Sendo JUSTIFICADOS gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.
25 Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para DEMONSTRAR A SUA JUSTIÇA pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
26 Para demonstração DA SUA JUSTIÇA neste tempo presente, para que ELE SEJA JUSTO e JUSTIFICADOR daquele que tem fé em Jesus.

Segundo esse texto, e o Todo Bíblico, eu só posso concluir que:
A morte de Jesus na Cruz, mesmo sendo dificil de entender para a mente humana, foi Justa, e não Injusta. Não no sentido de que "foi uma condenação de um inocente", pois nessa visão, humana, foi injusta mesmo; mas no sentido de que foi para satisfazer a Justiça de Deus.

E a Bíblia mesma relata sempre que isso não foi injustiça da parte de Deus de forma alguma, e por isso discordo com o Clóvis, e logicamente, com o George.

Mas como entender isso?

Acho que esse video do John Piper pode ajudar:
"Porque Deus é justo em punir Jesus por nossos pecados?"
E essa pergunta é tão difícil, que o PIPER fica uns 10 segundos pensando! rs

Assistam:
http://www.youtube.com/watch?v=1B3DyGdnpWk

Um abraço a todos.

Clóvis disse...

Georges,

Com relação à nossa última discordância, acho que ela é mais aparente que real. De fato, a Bíblia diz que Deus "guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão, e o pecado; que ao culpado não tem por inocente; que visita a iniquidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até à terceira e quarta geração." (Ex 34:7, cf Nm 14:18).

Deus não passa por alto do pecado daqueles a quem salva. Ele primeiro os justifica, imputando-lhe a justiça perfeita de Seu Filho, então o recebe "para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus" (Rm 3:26).

Em Cristo,

Clóvis

Clóvis disse...

Neto,

Concordo com tudo o que escreveu, inclusive com a discordância. Acho que dei a idéia de que quando Deus decidiu (estou evitando entrar na doutrina do decreto, ainda) salvar o fez sem preocupação com a justiça. Errei, mas não era essa a inteção.

O que pretendi dizer foi que o que moveu Deus a salvar o homem foi o seu amor e não a sua justiça. Pois a aplicação da justiça de Deus resultaria apenas em condenação, que era o que justamente merecíamos.

Porém, apesar disso Deus salva pecadores e justifica ímpios, e isso sem nenhuma obra da parte destes. Não estaria Deus agindo injustamente, não castigando os que mereciam a condenação? Não estaria ele subvertendo a Sua justiça ao ter o cumpado como inocente? Paulo demosntra, então, que Deus justifica o ímpio e continua sendo justo, pois a justificação do ímpio se dá "pela redenção que há em Cristo Jesus."

Em Cristo,

Clóvis

Esli Soares disse...

Perfeito Clóvis...

Clóvis disse...

Georges,

O irmão coloca ainda uma outra questão, que não sei se era para ser uma pergunta ou afirmação:

"Neste ponto, podemos avançar para um novo ponto em nossa discussão: Não é preciso que um dos atributos de Deus seja maior que os demais, para que em determinado momento Sua ação seja movida por um e não por outro."

Se foi uma afirmação, concordo com ela e digo mais: não é possível que um atributo divino seja maior que o outro. E jamais Deus precisa exaltar um atributo em detrimento de outro. Ele não precisa recolher o Seu amor para aplicar a Sua justiça, nem abafar sua santidade para perdoar nosso pecado.

Se foi uma pergunta, acho que já respondi, rs.

Em Cristo,

Clóvis

Clóvis disse...

Georges,

Tendo respondido às suas perguntas da melhor forma que pude (se deixei algo para trás, por favor dê um toque) e continuando aberto a novos questionamentos de sua parte, gostaria também de fazer um pedido. Que você avaliação e desse sua posição sobre a parte do artigo que começa com o subtítulo "O amor de Deus é consistente com a eleição".

Você concorda, discorda, faz reparos?

Em Cristo,

Clóvis

Georges Nogueira disse...

Respondendo ao comentário de Clóvis em 5 de março de 2010 10:47

Clóvis, meu irmão, sua citação dos hereges me lembrou da piadinha em que Deus perdia na justiça para o diabo, pois não havia nenhum advogado no céu...

Pilhérias à parte, lembremo-nos de outros advogados, como Lutero e Calvino.
Em respeito a sua pessoa, levando em consideração sua primeira afirmação de que você não é da área, e imaginando mesmo que você pode ter sido mal orientado por alguém com não muita competência, vou me abster de comentar sua afirmação de que o direito não é universal. Mas lhe darei uma recomendação alternativa: caso você se interesse genuinamente pelo assunto, não deixe de ler a teoria pura do direito. Caso não se interesse, fuja do tema.
Quanto à sua aplicação do "ne bis in idem" ou "non bis in idem" na esfera penal, se de fato é um conhecimento seu, sem que você seja advogado, está de parabéns. Se algum advogado ou bacharel ou mesmo estudante de direito lhe disse, nunca o ocntrate, porque ele é muito ruim. Se você achou no google, cuidado com estas pesquisas.
Aproveito para lhe esclarecer: em essência, este princípio do direito diz que "ninguém poderá ser indiciado, processado, julgado e punido mais de uma vez pelo mesmo fato". Esta significação, afasta o princípio de onde o irmão pretendeu utilizá-lo. De fato, existem, para nossa infelicidade milhares de casos em que alguém foi punido indevidamente e depois de se descobrir o verdadeiro culpado este TAMBÉM foi punido.

Exemplificando: vamos considerar, hipoteticamente que o cidadão ClovÉs* foi preso pelo assassinato da senhora Esperança. Após o pobre Sr. ClovÉs* ter cumprido já cinco anos da pena de sete (em regime fechado, apesar de já ter cumprido mais de um sexto da pena e fazer jus à progressão do regime), descobre-se que o verdadeiro culpado foi o cidadão Filho Filho*, pistoleiro a serviço do ignóbil Esni Loares*, e que o delegado responsável pela investigação, um certo Giorgio Bobeira*, no intuito de concluir a investigação rapidamente, incriminou, mesmo sem indícios suficientes o réu ClovÉs*. O juiz do caso, Dr. Sicardo Namedes*, considerou suficientes as provas (porque sequer examinou todas as provas, deixando isso a cargo de seu secretário, que tampouco se deu ao trabalho de avaliá-las), e arbitrou a pena que passou a ser imediatamente cumprida pelo inocente Sr. ClovÉs*. O Advogado de ClovÉs*, o obscuro Noberto Largas*, só queria o dinheiro do pato, e por isso mesmo nada fez para livrar o pobre Sr. ClovÉs*, visto que o mesmo não tinha mais dinheiro para pagar por um recurso. Embora seja cabível uma indenização por parte do estado ao Sr. ClovÉs*, os verdadeiros culpados serão julgados e presos pelo crime que cometeram (e que não estava prescrito). Ou seja, este preceito que o irmão apontou, diz que A MESMA PESSOA não pode ser punida duas vezes. Mesmo assim, lembrando que na prática, só não pode ser punido mais de uma vez na mesma esfera. Um funcionário público, por exemplo, que seja flagrado em crime desviando verbas públicas, será punido na esfera administrativa com a exoneração, na esfera cível com a reparação do dano e devolução dos valores ao erário público e na esfera criminal com a pena de reclusão (privativa de direitos).

* Nomes fictícios. Qualquer semelhança com fatos ou nomes reais, terá sido mera coincidência.

(continua...)

Georges Nogueira disse...

(...Continuação)

Mas deixemos de lado as firulas jurídicas por enquanto.

A afirmação do irmão que mais me fez exultar, foi a seguinte:

"Mas a Bíblia apresenta Adão como representante, o cabeça da raça, de forma que o pecado dele pode ser castigado com justiça em todos os seus filhos. Portanto, um pecou, todos morreram. Isso se dá por imputação.

Quando Jesus morreu na cruz, também o fez na condição de representante federal, o cabeça de Seu povo. E por isso o Seu ato de justiça pode ser imputado a todos os seus descendentes. No sistema jurídico divino, um ato de pecado de representante pode ser atribuído aos representados, e vemos isso muitas vezes na Bíblia, como por exemplo pelo pecado do pai de família, esposa e filhos eram punidos juntos. E nesse sistema, um ato de justiça de um representante trazia benefícios aos representados."

O irmão afirma que por Adão, TODOS pecaram. E que em Cristo TODOS foram justificados. Caso o TODOS em adão seja uma hipérbole, podemos afirmar que alguns nasceram sem pecado, o que é uma heresia. Mas se o TODOS em Adão se refere à humanidade como um todo, o TODOS em Jesus também se refere à humanidade como um todo.
Caso contrário teríamos um Jesus incapaz de salvar a todos que herdaram o pecado de Adão, ou um Deus injusto, pois imputa o pecado de um a TODOS e a Salvação do outro a ALGUNS.

Nisto, concordamos absolutamente.
Que Deus seja Louvado!

Georges Nogueira disse...

Irmão Clóvis: "Não é preciso que um dos atributos de Deus seja maior que os demais, para que em determinado momento Sua ação seja movida por um e não por outro." Era uma afirmação peremptória!

Irmão Net:

Meu nome é GeorgeS com um "S" no final. Que coisa! E não vi nos seus escritos, algo de que possamos discordar.

Em Cristo,
Georges Nogueira.

Georges Nogueira disse...

Caro irmão Clóvis:
Em seu pedido:

"gostaria também de fazer um pedido. Que você avaliação e desse sua posição sobre a parte do artigo que começa com o subtítulo "O amor de Deus é consistente com a eleição".

Você concorda, discorda, faz reparos?"

Creio que merece um post. Gostaria de responder-lhe assim. Me permite?

Neto disse...

Acho que não vou entrar nesse debate sobre jurisdição não, pelo menos por enquanto... rs. Somente acompanhar.

GeorgeS, perdão pelo singular, é falta de costume!

Clóvis, você disse:
"O que pretendi dizer foi que o que moveu Deus a salvar o homem foi o seu amor e não a sua justiça. Pois a aplicação da justiça de Deus resultaria apenas em condenação, que era o que justamente merecíamos."

Concluindo minha opinião, não concordei com a construção da sua frase, mas concordei com a sua intenção!! rs
Logo, terá uma "meia assinatura"! rsrsrs

Ass: NE...

Neto disse...

Agora... quem será esse "filho filho" do caso fictício? Hun... Filho do filho.... Hun... *pensando

Roberto Vargas Jr. disse...

Caríssimos,
Eu tentei mais cedo postar, mas perdi o comentário porque fiquei sem internet. Agora não lembro mais o que dizia e mesmo que lembrasse acho que não seria relevante! rs
Também ia tentar acompanhar, mas tenho tanto para ver e estudar que perdi o ânimo (acho que vou ficar só com o batismo, Clóvis). Vale a pena apenas comentar para dar uma satisfaçào ao Georges.
Meu caro, usar textos bíblico na busca de entendendimento de algo é bem diferente da guerrinha de versículos que, no máximo, só prova alguma lógica interna que ninguém coloca em discussão. Assim, seu temor é de todo injustificado!
Quanto à brincadeira com os nomes, sei lá se há semelhança, mas não me importaria em manter-me obscuro! rs. Entretanto, uma semelhança que não é mera coincidência é eu não ter feito nada para livrar meu pobre irmão (não penso que ele necessite ser liberto! rs). Estes debates não me são interessantes (o que é fácil de se perceber por eu não entrar neles). Porém, se não me interessam como debate, também não nego que perguntas difíceis são interessantes de acompanhar (mas, repito, meu tempo e ânimo não permitem).
Sobre o tema em si, bem, depois que eu ler melhor, se recobrar ânimo e conseguir tempo, então volto a comentar!
No amor do Senhor,
Roberto

Clóvis disse...

Georges,

Não fui orientado por ninguém na minha resposta na questão jurídica, portanto, os erros são todos meus. Devia pelo mentos ter consultado o Oráculo (google). E obrigado pelos esclarecimentos nessa área.

Você poderia indicar um livro que não fosse "pesadão" para uma introdução ao direito universal?

Clóvis

Clóvis disse...

Georges,

Receio que sua exultação seja um tanto diminuída, pela afirmação que fiz:

"O irmão afirma que por Adão, TODOS pecaram. E que em Cristo TODOS foram justificados. Caso o TODOS em adão seja uma hipérbole, podemos afirmar que alguns nasceram sem pecado, o que é uma heresia. Mas se o TODOS em Adão se refere à humanidade como um todo, o TODOS em Jesus também se refere à humanidade como um todo."

Então, todos em Adão refere-se a todos sem nenhuma exceção dos que estavam em Adão. E todos em Cristo refere-se a todos sem exceção dos que estavam em Cristo.

O que deve ser observado, irmão, é que nem todos que estavam em Adão estavam também em Cristo. Fiz-me claro?

Sobre o seu post, terei o maior prazer em ler e tecer considerações, se forem pertinentes. Apenas me avise tão logo ele saia, para que possa lê-lo.

Em Cristo,

Clóvis

Georges Nogueira disse...

Neto e Roberto:
Perdão pela brincadeira com os nomes. Como eu mesmo disse, não há nenhuma ligação com as pessoas reais.Embora eu desconfiasse que citando o "Noberto" o Roberto apareceria. Resta-me saber por que causa, motivo, razão ou circunstância, o (Dr. Sicardo) digo, Ricardo não apareceu ainda...
E aproveitando a deixa, muito embora tenha sido apenas uma tirada para exemplificar uma situação jurídica é algo que acontece muito. Eu mesmo quase fui fisicamente agredido por uma escrivã certa vez que estive em uma delegacia para buscar uma certidão, e lá se encontrava uma mãe que tinha sido impedida de ver o filho que estava preso a seis dias por furtar uma carteira de Belmont (cigarro barato). Me indignei com a afronta aos direitos do pobre, que somente ocorreu por ele ser pobre.

Georges Nogueira disse...

Caro irmão Clovis, quanto à indicação de livro, é o que eu citei no comentário anterior. "Teoria pura do direito", do alemão Hans Kelsen. Já foi publicado por muitas editoras, mas eu lhe recomendaria a edição da revista dos tribunais. É um clássico fundamental do direito, tem 160 páginas, e a leitura é bastante fácil. Comece por ele, e logo teremos um novo estudante de Direito.

Em Cristo,
Georges Nogueira.

Roberto Vargas Jr. disse...

Georges, meu caro, novamente: não por isso. Até porque eu tenho certo prazer em ser obscuro (dependendo do sentido do termo), mesmo que você não quisesse fazer qualquer referência a mim! rsrs
NEle,
Roberto

Clóvis disse...

Georges,

Obrigado pela indicação de leitura. A faculdade onde leciono tem curso de direito, então é provável que encontre o livro na biblioteca.

Quando a vir a estudar direito, está nas mãos de Deus dirigir o meu futuro.

Em Cristo,

Clóvis

Georges Nogueira disse...

Caro irmão Clóvis, permita-me corrigir um erro que cometi aqui ao lhe recomendar o livro: Kelsen não é alemão. Muito embora sua vida acadêmica tenha se dado lá, e sua produção tenha se iniciado e ficado famosa primeiro em Heidelberg, depois Berlin e finalmente em Viena, de onde fugiu perseguido pelos nazistas, o autor nasceu em Praga, que à época (1881), ainda pertencia ao império Austro-Húngaro.
Perdoe-me pela falha, mas na hora não tinha em mãos o livro para consulta.

Em Cristo,
Georges Nogueira.

Ricardo Mamedes disse...

Caro Georges,

Obedecendo ao chamado do nobilíssimo colega, eis-me aqui! Não vim antes por um detalhe insignificante: estava trabalhando (rsrs). Todavia, confesso que gostei da sua pequena aula ao Clóvis. Tudo certinho, parabéns!

Então você estava estranhando que eu não tenha aparecido... Isso significa algo como "falou no diabo...? " (rindo muito aqui). Ou é uma indicação de que a trupe se junta para detonar arminianos? (rindo ainda mais). Opa, longe de mim querer rotulá-lo!

Brincadeiras a parte, o debate está bom, ou esteve. Pena que eu não participei. E pelo que vejo você também foi fisgado pelo Cinco Solas. O perigo é ser contaminado por esse viés calvinista. Cuidado! Os tais hereges costumam ser demasiadamente convincentes, ou, na pior das hipóteses, muito persuasivos. Mas sei que o colega sabe muito bem se defender e às suas convicções.

Grande abraço a todos e fiquem na Paz de Cristo.

Ricardo

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