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31 março 2010

Os blogs e a apologética


O que segue é uma revisão do que comentei na série de artigos intitulada "Refletindo sobre um blog cristão". e publicada pela Nani. Acrescento pouca coisa, reviso alguma e publico para análise, complementação e correção dos leitores deste blog.

Apologética é basicamente uma marca de todos os blogs. Em maior ou menor grau, defendemos alguma coisa. Mas alguns são assumidamente apologéticos, e eu tenho uma crítica ao modo de fazer apologia em geral, que acaba sendo refletida nos blogs: se ataca mais os erros que se expõe a verdade. Se diz que tal caminho é errado, que não se deve andar por ele, mas pouco se aponta o caminho correto. Creio que trabalhar desta forma é deixar a obra inacabada. Apologética é, primariamente defesa da verdade, embora para esse fim seja necessário atacar a mentira.

Se você treinar pessoas em reconhecer as notas verdadeiras, e avisá-la que existem as falsas, elas identificarão uma assim que a virem. Se a sã doutrina for pregada, a heresia fica descoberta. Porém, falamos mais contra profetadas do que explicamos o dom de profecia. Um outro aspecto ruim na apologética se dirige a um único alvo, demonstra interesse maior em combater algo ou alguém e não expor a verdade. Não é raro encontrarmos sites e blogs que expõe as heresias de movimentos sectários mas não contém nenhuma declaração de fé.

Outra coisa difícil é saber dosar é o humor. Os blogs mais visitados da blogsfera são os de humor. No meio evangélico também. Por isso, a tentação é grande de se fazer "humortadelas" evangélicas. Alguns conseguem o equilíbrio, usam o "humor apologético" com competência, porém muitos conseguem apenas ser engraçados. Além de errar na dose, às vezes erramos no tipo, fazendo caricaturas daquilo que é combatido . Aqui no Cinco Solas tenho intenção de ser mais bem humorado, fugir da pecha de calvinista carrancudo, até tenho um marcador "Humor". Mas acho que é o menos utilizado, pois algumas tentativas que fiz pareceram mais ridicularização que arte de fazer rir. Ou seja, embora goste, não me saio bem com anedotas.

Minha crítica não é contra a denúncias em si, que havendo motivos quanto mais tiver e mais veemente for, melhor. Também não é tanto ao uso do humor como estilo. Mas à falta de uma direção àqueles que avisados do erro perguntam, "então, para onde iremos". E sinto que isto falta à apologética evangélica brasileira em geral e não é remediada pelos blogs apologéticos em particular.

Creio que devemos mostrar a verdade, conforme encontrada na Bíblia e expressa nos documentos da igreja antes de apontarmos a mentira. Do contrário, parece que estamos esperando que outros enganem, ou sejam enganados, para então apontarmos o erro, além do que falhamos em mostrar o caminho de volta para a sã doutrina.

Soli Deo Gloria

18 comentários:

Jorge Fernandes Isah disse...

Clóvis,

Duas implicações do tema:

1)A busca incessante pelo erro, uma caça às bruxas gospel que leva muitos a acreditar que entre os evangélicos só existem falsas igrejas, falsas doutrinas e falsos cristãos; induzindo-os ao desprezo à igreja e sua obra notadamente estabelecida por Deus para o Seu povo. Vivemos um crescimento do individualismo cristão, onde crentes consideram normal e até saudável não participar do Corpo Local, para assim estarem imunes ao engano. E a Bíblia nos informa exatamente o contrário: Deus se manifestará através da Igreja, sua obra se realizará através dela, aí incluídas a salvação e a santificação do eleito no Corpo Local.

2)Não ver erro algum, considerando que o amor (os sentimentos) são suficientes para uma pessoa se considerar cristã, a despeito da doutrina que ela professa. E a máxima é de que qualquer coisa vale, desde que seja realizada com sinceridade e amor (o falso amor, porque o amor verdadeiro exorta, repreende, e, até mesmo, entrega o corpo do irmão para satanás a fim de que o espírito seja salvo).

Nos dois casos, o erro, o desvio é o fundamento, não o Evangelho; seja na denúncia absoluta, seja na negligência absoluta. Essas são duas distorções da igreja, pois como você bem colocou, apologética é, sobretudo, a defesa da verdade: a revelação especial de Deus, a Escritura Sagrada.

O método que muitos utilizam é mostrar o falso e, quase sempre, não revelar o verdadeiro. Muitos dirão que ao expor o engano, a verdade ficará evidente. Será?... O contrário ocorrerá certamente: revelando-se a verdade, a mentira ficará exposta, desnudada.

O pior é que a piada perpetrada pelos blogs "apologéticos" se tornou a mesma, repetitiva: bater nos neopentecostais, na teologia da prosperidade. Enquanto isso, no meio deles, são permitidas todas as espécies de heresias, tais como o liberalismo teológico, o relativismo, a T.Relacional, a T.Libertação, o marxismo "cristão", etc. Estão de prontidão para "descer o bambu" no movimento da fé e na T.P., mas quanto aos desvios dos seus pares são complacentes, contemporizadores, permissivos e indulgentes. O que me leva a crer em uma falsa apologética, desprovida do espírito cristão de denunciar tudo o que vai de encontro aos princípios bíblicos, e não somente um ou outro ponto, o que for mais conveniente para a "luta". Acabo por concluir que esse método ou estratagema tem o objetivo de criar uma cortina de fumaça para "esconder" os desvios que desejam propagar sutil, sorrateiramente, entre o rebanho de Cristo.

O pior é ver páginas conservadoras, reformadas, calvinistas divulgarem esses "apologistas"... como se pudesse relacionar-se apenas com os mínimos acertos cometidos, e não se relacionar com a totalidade (quase maciça) dos erros impetrados.

Como a Escritura diz, cada um de nós dará conta do próprio erro.

Abraços.

Cristo o abençoe!

Neto disse...

Clóvis,

Eu creio que Deus nos deixou um mundo com o seguinte formato:

90% são influenciados em maior e menor grau; 10% influenciam em maior ou menor grau também. Isso se a diferença entre os dois não for maior ainda...

Porque "ninguém" leva a vida cristã à sério? Porque "ninguém" vê a apologética como uma guerra espiritual, e não como uma oportunidade de tirar sarro? Porque não se leva as questões espirituais, e sobre Deus, à sério, pelo menos nem metade do que se deveria?

Porque os próprios que estão nos 10% ensinam ou passam um ar de que a apologética não é algo tão sério que faça a eternidade de alguém estar em jogo... Não! Essa é a visão bíblica, apostólica, profética, e de Jesus!
Mas a apologética parece mais, nas mãos daqueles, como uma matéria escolar. Ou um assunto "entre outros" da vida humana... Geografia, Física, Filmes, Política...
"Oh, não me diga que não sabia que o tomate é uma fruta? hahahaha".

Não há paixão por Deus! Não há ZELO em se defender a verdade! Não há cuidado em pronuncia-la! Não há uma perpectiva eterna com relação à isso! Não se tem os olhos em lágrimas ao ver quantas pessoas estão caminhando rumo à destruição!

Certa vez ví, em um blog "apologético" famoso, um post sobre o adultério de David: Logo de cara, o blogueiro colocou a foto de uma mulher semi-nua e sensual, uma "garota da laje"! Isso é apologia, ou mundanismo?

O que se busca é *a glória dos homens!; *é "fazer rir" (consequencia da primeira); *são visitas (idem); *fama (idem); *é ridicularizar os outros (idem); e a apologética, e (pior) a Bíblia é tida apenas como "algo" que eu sei e que me faz superior à você, "seu manézão".

Logicamente, há exceções. Esse blog é uma delas. E creio que percebeu, assim como eu, que os verdadeiros cristãos que se preocupam com o que é importante de verdade estão sendo incomodados com isso, e estão saindo dessa torre de Babel para procurar alimento sólido de verdade.

Chega de infantilidade! Temos que amadurecer espiritualmente!


Deus o abençoe e desculpe o desabafo...

Marcos Sampaio disse...

Caro Clóvis,

Que texto inteligente e com discernimento espiritual! Tenho também reservas aos blogs denominados apologéticos [com e/ou sem humor]. Creio que Cristo e seus apostolos se esmeraram em explicar as Escrituras do que qualquer outra coisa. Penso que apontar o erro é útil quando acompanhado do ensino. Entretanto, a melhor vacina contra o erro é simplesmente a explicação fiel das Escrituras.

Quero indicar um texto do nosso blog: http://olharcalvinista.blogspot.com/2010/03/os-arminianos-sao-meus-irmaos-em-cristo.html [Bem, muitos calvinistas e reformados certamente preferem nesse arigo criticar-me do que explicar as Escrituras para um arminiano de forma amorosa e enxergá-lo como um irmão em Cristo. Creio que precisamos rever um pouco o que é realmente uma ortodoxia saudável].

Tenho dito,

Marcos Sampaio

Helder Nozima disse...

Clóvis,

Bater é mais fácil que propor. Acusar dá mais ibope do que defender, ainda mais quando se bate no erro grotesco. Sem falar que, batendo apenas nos erros mais gritantes, faz-se média com diferentes grupos, o que também ajuda na audiência.

Agora, ensinar o caminho correto, opor-se a heresias mais sutis e que demandam um trabalho teológico maior, explicar porque elas são um erro e qual a visão certa...ah...isso é difícil. Exige o dom do ensino. Já a galhofa, essa não exige dom espiritual algum.

Ótimo texto, como (quase) sempre (acha que esqueci o credobatismo, rs).

Graça e paz do Senhor,

Helder Nozima
Barro nas mãos do Oleiro

Neto disse...

Galhofa: Escárnio, troça. / Festa ruidosa e alegre. / fazer galhofa: escarnecer, zombar.

Ótima adição pro meu vocabulário! Obrigado Helder!

Helder Nozima disse...

Neto,

É sempre bom contribuir para aumentar o conhecimento dos irmãos, ainda que só no português, rs.

Roberto Vargas Jr. disse...

Caríssimos,
Eu cheguei a acompanhar alguns destes blogs que se dizem apologéticos. Falo categoricamente: se o Evangelho dependesse dessas defesas ele há muito não passaria de um livro de contos! Os blogs que são humorísticos tem um humor pior que o dos programas de TV. E tanto estes quanto os outros não tem mais que uma ou duas heresias preferidas... É um espetáculo deprimente.
Mas vejam, um blog não precisa ter este objetivo. O do meu é simplesmente pensar e expor, o melhor que posso, o meu pensamento. E isto, claro, em busca da Verdade. Alguns textos podem, enfim, ser apologéticos, mas não declaro fazer algo que não me proponho inicialmente fazer.
Digam eles que seu objetivo é brincar ou criticar ou qualquer coisa que realmente façam... Mas não digam que fazem apologética, pois não fazem!
No Senhor,
Roberto

Esli Soares disse...

“Farei uma apologia da apologia”

Apologia no dicionário é: s.f. Discurso ou escrito que defende, justifica, elogia uma pessoa ou coisa; Elogio, louvor, glorificação.

Focar o erro é tudo menos o que significa apologia. Notem que o conceito não traz em si a idéia da reatividade, mas da pro-atividade. Para mim é aí que mora o erro, não me recordo de Jesus falando mal de alguém (ou da atitude de alguém) para demonstrar o contrário. Seus discursos eram sempre sobre o Reino. Ele dizia “o Reino é semelhante...”.

Claro havia acusações, mais eram isso, acusações, denúncias e não a tese de que a contrariação do errado induziria ao certo.

Creio que aqueles que expõem “toda a Bíblia e a Bíblia toda” é que fazem a verdadeira apologia, não a teologia, nem a cristandade ou a igreja, mas a apologia a Redenção Revelada.

Esli Soares

Roberto Vargas Jr. disse...

Caros,
Conversei com o Clóvis há pouco e ele me diz que está com dificuldades para postar comentários por conta de sua conexão. Assim, ele deve voltar à carga em breve, assim que resolver o problema!
NEle,
Roberto

Clóvis disse...

Jorge,

O irmão pontuou muito bem os dois extremos e os danos que causam à Igreja de Cristo. Devemos evitá-los sempre.

O primeiro erro é cometido quando se reduz a apologética a apontar o erro, pois como eu disse e o irmão complementou, desmascarar a mentira não prova a verdade, pelo simples fato de que a verdade é única, mas a mentira é multifacetada. Tirar a máscara de uma não garante que a pessoa não caia e outra. Provar alguém a alguém que Joseph Smith foi um falso profeta não garante que ele não se tornará testemunha-de-jeová. Não se pode esperar que entre uma mentira e outra a pessoa tropece na verdade.

Não sei se há objetivos escusos na apologética mal feita, mas com certeza coa-se o mosquito e engole-se camelos.

Que o Senhor se apiede de nós.

Em Cristo,

Clóvis

Clóvis disse...

Neto,

Sou menos "esquentado" que você, mas também me indigno quando ao invés de se confrontar mentira e verdade, apenas se ri da mentira.

E dou graças a Deus que este blog não é o único que leva a sério a exposição da verdade. Mas tenho lá minhas limitações e corro meus riscos, então, olho aberto, e qualquer coisa, grite.

Em Cristo,

Clóvis

Clóvis disse...

Marcos,

Creio que o evangelho é o poder de Deus, e que nada é mais eficaz contra o erro que uma Bíblia aberta e um pregador fervoroso.

Quanto ao seu artigo, assino embaixo. Sirvo a Deus numa igreja arminiana, onde fui trazido à fé e onde tenho sido cuidado espiritualmente. E para onde olho, vejo crentes melhores que eu.

Em Cristo,

Clóvis

Clóvis disse...

Helder,

Você provou que não tem preguiça quando é para defender a verdade. A looooga série de resposta ao Leandro Quadros demonstrou isso.

Para que não se ensoberbecesse, o Senhor permitiu que fosse pedobatista...

Em Cristo,

Clóvis

Clóvis disse...

Esli,

Não sei até que ponto a nossa palavra "apologia" deriva do termo grego "απολογια", mas se for mera transliteração, sem perda de significa, creio que 1Pe 3:15 dá bem o sentido que ela deve ter:

"Antes santificai a Cristo, como SENHOR, em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós"

A apologia seria, então, apresentar uma resposta aos que perguntarem sobre nossa fé. O conteúdo da apologia seria, então, a razão da nossa esperança. E a forma que isso deve ser feita é com mansidão e reverência.

Em Filipenses, Paulo liga a apologia a "confirmação do evangelho" (Fp 1:7).

Em Cristo,

Clóvis

Clóvis disse...

Roberto,

Obrigado por dar o aviso. Na próxima semana, especialmente, minhas respostas não poderão ser imediatas. É a combinação internet móvel ruinzinha com trabalho externo.

Clóvis

Neto disse...

Clóvis,

Gritarei. ;)

pastor disse...

Graça e paz Clóvis.
Queridos irmãos gostaria de falar sobre a falta de Maturidade Cristã e Profissionalismo que temos vivido nestes últimos dias, tem levado a depreciação do verdadeiro Evangelho, nunca se fez tanta propaganda enganosa como nos dias atuais, não são só riqueza e fama que estão pregando, mas a principal transformação e as qualificações exigida para entrada no reino de Deus,tem sido desprezada por parte dos pregadores, até parece que assas transformações só se falam para novos convertidos, o viver uma vida em santidade ficou para Igreja primitiva dos primeiros séculos, a distinguir o santo do profano ficou para os santarrão, o temor tem se diluido no esquecimento por falta de sabedoria.
As vezes fico me perguntando, com tantos acontecimentos que se tem norteado o mundo, cuja a recomendação Bíblica é alegrai porque a vossa redenção esta próxima, que fico preocupado em que se Jesus Cristo vier buscar sua Igreja, que muitos se levantarão do sepulcro, mas muito pouco serão transformado, por ver o crescimento deste novo evangelho que não exige transformação de vida, nem leva ao céu, pois estamos diante de pessoas avarentas que tem amado este presente século o qual se findarão com o mesmo.
Por tanto nos atemos ao que o Apóstolo Paulo nos diz: (Romanos 12:1) - ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
(12:2) - E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.
(12:3) - Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um.
Pr. Rui
Até aqui me ajudou o Senhor
pr.rui._@hotmail.com

Neto disse...

Clóvis,

Primeiro, "Abnegado". Depois, "Obstinado". Agora, "Esquentado"?

Acho que estou mais pra Lutero do que pra Calvino... rs

Deus abençoe...

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